Castlevania: Belmont's Curse combina tradição e novas habilidades na demo.
Combate ágil, cartas de tarô e uma Paris tomada por criaturas demoníacas dão forma à aventura de Rose, com potencial para aproximar novos fãs e a velha guarda.
event10/10/2026 | 16:43 | ReviewA demonstração de Castlevania: Belmont’s Curse apresenta uma base promissora para o retorno dos Belmont. A resposta dos comandos, a exploração e a ambientação preservam características reconhecíveis da franquia, enquanto a direção de arte lembra a identidade visual de Dead Cells. O contato inicial ainda não permite colocar a aventura entre as melhores da série, mas revela escolhas que valorizam seu legado sem dispensar novidades.
Publicado pela Konami, o título de ação e exploração 2D tem desenvolvimento da Evil Empire e participação da Motion Twin como estúdio de consultoria. A proximidade visual pode despertar o interesse de quem conheceu a colaboração entre essas empresas pela expansão Return to Castlevania.
Condições da análise: demo jogada no PC, pela Steam, com controle de Xbox Series X|S. A sessão incluiu exploração e observação de cenários, personagens, interface e áudio, além do avanço pelo percurso principal.
Uma oportunidade de reencontro
Em entrevista à Famitsu publicada em agosto, o produtor Taniguchi afirmou que a preocupação com a diminuição de pessoas que efetivamente jogam Castlevania esteve entre as motivações do projeto. Segundo ele, cresceu o número de interessados que conhecem o nome da franquia, mas nunca experimentaram seus jogos.
O aniversário de 40 anos da marca oferece uma ocasião para discutir sua continuidade. A importância de lançamentos inéditos não elimina o papel das coletâneas: Anniversary Collection, Advance Collection e Dominus Collection ajudam a manter o catálogo acessível e oferecem caminhos de entrada para quem ainda não conhece essas aventuras.
Haunted Castle Revisited, incluído em Dominus Collection em 2024, ilustra outra possibilidade: reinterpretar um título antigo. Trata-se de uma recriação do jogo de arcade, com proposta diferente daquela de um capítulo inédito.
Belmont’s Curse pode contribuir para essa renovação de público. Na mesma entrevista, Taniguchi defendeu a continuidade desse movimento, sem deixar o próximo lançamento inédito para outra década. A declaração expressa uma intenção para o futuro, mas não anuncia um calendário de novos projetos.
Paris sob uma maldição
Aviso de spoilers: os próximos trechos abordam acontecimentos da abertura e o primeiro chefe da demo.
A história se passa em Paris, na França, em 1499, 23 anos depois dos acontecimentos de Castlevania III: Dracula’s Curse. Entre ruas em chamas e criaturas demoníacas, uma calamidade ameaça a cidade.
Após tentativas frustradas de conseguir ajuda, o bispo Claude de Champigny recorre a Trevor Belmont e oferece títulos, terras e ouro em troca da salvação dos habitantes. O caçador chega acompanhado da filha, Rose, que assume a investigação enquanto o pai vai ao encontro do religioso.
Antes de partir, Trevor entrega à jovem as cartas de tarô que sua mãe criou para ela antes de morrer. Esses objetos aproximam Rose de uma herança que envolve magia, perda e uma maldição.
Em entrevista à Famitsu em julho, o diretor criativo Emmanuel Nouaille explicou que a filha herdou a maldição de Sypha. A intenção de vingar a mãe dá à protagonista uma motivação para enfrentar esse destino. A relação familiar, portanto, participa da construção do conflito central.
Arcanos que crescem com a aventura
O uso de cartas não é uma novidade na franquia. Em Castlevania: Circle of the Moon, o sistema DSS, abreviação de Dual Set-up System, permite combinar uma carta de ação com outra de atributo para produzir efeitos mágicos.
Belmont’s Curse segue uma proposta diferente. A captura de chefes no baralho de Rose concede acesso a Arcanos, com feitiços e ações especiais.
Na demonstração, a vitória sobre O Decaído libera a Cruz Sagrada. Sua carta apresenta três tarefas chamadas Obras de Misericórdia, ligadas à progressão desse Arcano.
Os objetivos são:
- Encontrar três armas diferentes do tipo chicote.
- Derrotar cinco inimigos com a mesma cruz, sem a exigência de atingi-los simultaneamente.
- Eliminar dez adversários usando Ataque de Chicote.
O cumprimento das tarefas concede Bênçãos, que podem ser atribuídas a Talentos para acrescentar propriedades aos feitiços. Uma das melhorias da Cruz Sagrada permite lançar uma segunda cruz. A progressão, assim, depende de objetivos que envolvem exploração e uso das habilidades.
Agilidade exige atenção
O combate tem ritmo rápido e comandos que respondem bem no trecho experimentado. Rose executa uma sequência de três golpes com a espada e dispõe de movimentos evasivos que favorecem o reposicionamento.
No controle de Xbox Series X|S utilizado no PC, pressionar B com a personagem parada executa um recuo. Um segundo acionamento durante a primeira esquiva prolonga o deslocamento e termina em um salto mortal para trás. Já a combinação de baixo com B produz um deslize, útil para atravessar passagens estreitas e escapar de ataques.
A exploração acontece em um mapa preenchido conforme o avanço. Certas passagens dependem de habilidades, aproximando a estrutura dos capítulos da série que combinam progressão e retorno a áreas antes inacessíveis.
A ausência do Vampire Killer entre as armas utilizadas na sessão deixa uma lacuna para quem associa os Belmont ao chicote. Após o confronto com O Decaído, uma habilidade permite prender-se a pontos de ancoragem com RT, balançar e alcançar outras plataformas. O recurso também pode ser usado para se aproximar de inimigos e executar um Ataque de Chicote, integrando travessia e combate.
Y conjura feitiços, enquanto Cima + Y foi o comando utilizado para lançar a Cruz Sagrada, conforme a configuração relatada na sessão. A magia consome mana, recuperada ao atacar inimigos. A cura é acionada ao manter LB pressionado.
A Konami anuncia sete categorias de armas, além de relíquias com efeitos de ataque e defesa. O recorte jogado ainda é insuficiente para avaliar o equilíbrio entre essas opções ou a variedade que oferecerão ao longo da campanha.
Morcegos, zumbis e esqueletos não representam grande resistência individual, mas punem a falta de atenção. Atacar de forma precipitada pode deixar Rose exposta a uma resposta. Observar a movimentação de cada inimigo ajuda a escolher quando avançar e quando recuar.
O Decaído concentra essa exigência. Suas investidas rápidas punem erros de posicionamento, mas seguem padrões que podem ser reconhecidos e memorizados com a prática. A vitória depende de combinar paciência, reflexos e domínio das ações disponíveis, em vez de insistir em golpes sem considerar a reação do chefe.
Identidade gótica nos cenários e na interface
A apresentação visual é um dos pontos fortes da demo. Personagens e ambientes retomam a estética gótica da franquia, enquanto o tratamento das formas e das cores aproxima a aventura de Dead Cells. Essa afinidade aparece como uma referência visual, sem apagar os elementos que identificam Castlevania.
A organização dos espaços também chama a atenção. Pontos elevados e passagens condicionadas a habilidades relacionam a construção das fases à movimentação da protagonista. O trecho disponível sugere caminhos que ainda precisam ser explorados, mas não basta para avaliar a complexidade do mapa completo.
Nos menus, o detalhamento das cartas, seus versos e os ícones compõem uma apresentação elaborada sem excesso de ornamentação. A tela de navegação se destaca pela silhueta escura de Paris ao fundo, sobre a qual aparecem o traçado das áreas e suas marcações.
As relíquias permanecem como uma questão em aberto nesta análise. A interface apresenta três espaços de equipamento, mas a sessão registrada não permitiu avaliar seus efeitos ou as combinações possíveis.
A progressão envolve três chaves protegidas por guardiões, necessárias para abrir o portão das Catacumbas. A primeira se chama Chave do Decaído e é obtida após a vitória sobre esse chefe. A busca pelos outros dois objetos passa, então, a orientar a jornada.
Um começo promissor, ainda parcial
O trecho disponível deixa uma impressão favorável pela agilidade das lutas, pelo uso dos Arcanos e pelo cuidado visual. Permanecem abertas, contudo, questões sobre a diversidade das armas, o papel das relíquias e a capacidade de sustentar o interesse durante toda a campanha. A demonstração oferece motivos para acompanhar o lançamento, mas ainda não fundamenta um veredito sobre a experiência completa.
Castlevania: Belmont’s Curse tem lançamento previsto para 15 de outubro de 2026, no PC via Steam, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch.
Segundo a Konami, o progresso da demo pode ser transferido para a versão completa, desde que ambas sejam utilizadas na mesma plataforma e com a mesma conta. É necessário conservar os dados de salvamento e atualizar o jogo completo para a versão mais recente disponível.