Shigeru Miyamoto, criador de Mario e Zelda, é escolhido para receber a Ordem da Cultura do Japão
Reconhecimento inédito para a indústria de videogames destaca a trajetória do veterano da Nintendo, que também discutiu inteligência artificial, originalidade e os princípios do desenvolvimento de jogos. CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA LEGENDADA!
event23/10/2026 | 02:33 | NotíciaShigeru Miyamoto, responsável pela criação de franquias como Super Mario, The Legend of Zelda e Pikmin, foi escolhido para receber a Ordem da Cultura do Japão em 2026. O anúncio ocorreu em 22 de outubro e representa, segundo a revista japonesa Famitsu, a primeira vez que um profissional da indústria de videogames é contemplado com a honraria.
A condecoração, instituída em 1937, reconhece personalidades que contribuíram significativamente para o desenvolvimento cultural japonês. A cerimônia está prevista para 3 de novembro, no Palácio Imperial de Tóquio, quando os homenageados receberão a distinção do imperador.
Durante uma coletiva na sede da Nintendo, em Kyoto, Miyamoto demonstrou gratidão pelo reconhecimento e ressaltou que seus trabalhos resultam da colaboração entre numerosos profissionais. O criador já havia sido reconhecido como Pessoa de Mérito Cultural em 2019, outra distinção concedida pelo governo japonês.
Uma trajetória que transformou os videogames
Formado em design industrial, Miyamoto ingressou na Nintendo em 1977 e participou da criação de Donkey Kong, lançado nos arcades em 1981. Posteriormente, tornou-se uma das principais figuras por trás de Super Mario Bros., The Legend of Zelda e outros títulos que ajudaram a definir diferentes gerações de consoles.
Sua participação também se estendeu a projetos como Wii Sports e Wii Fit, além de iniciativas cinematográficas e atrações do Super Nintendo World.
Na conversa registrada pela Famitsu, o desenvolvedor destacou a importância de tornar os jogos acessíveis a pessoas sem experiência prévia. Essa preocupação influenciou a concepção de produtos como Nintendo DS e Wii, que buscaram simplificar a interação em uma época marcada pelo aumento da complexidade dos controles.
Inteligência artificial e o significado de criar
Questionado sobre inteligência artificial generativa, Miyamoto diferenciou o processo criativo das tarefas necessárias para concretizar uma ideia.
Em sua visão, ferramentas capazes de automatizar etapas de produção podem ampliar a importância das decisões humanas, especialmente na definição de conceitos, objetivos e experiências. O veterano comparou essa transformação à chegada dos computadores ao design gráfico, quando determinadas habilidades técnicas deixaram de ser suficientes para distinguir um profissional.
Ele também alertou para o risco de confundir a satisfação de executar tarefas com a realização de algo verdadeiramente original. Para Miyamoto, a evolução tecnológica oferece uma oportunidade de reconsiderar o significado da criação, sem eliminar necessariamente a contribuição humana.
Originalidade como princípio de desenvolvimento
Ao comentar sua filosofia de trabalho, o designer explicou que prefere incentivar jovens profissionais a desenvolver ideias próprias, em vez de apenas modificar jogos existentes.
A atenção à experiência do jogador permanece central nessa abordagem. Elementos como clareza dos comandos, respostas rápidas e liberdade para experimentar são aspectos que, segundo Miyamoto, podem contribuir também para o desenvolvimento de outras tecnologias interativas.
Atualmente diretor representante e fellow da Nintendo, ele pretende continuar explorando possibilidades criativas, incluindo produções cinematográficas, sem anunciar novos projetos específicos durante a coletiva.